Meu Amigo Dahmer, Derf Backderf

Meu Amigo Dahmer, Derf Backderf

Meu Amigo Dahmer (Jeffrey Dahmer), Derf Backderf Darkside Graphic Novel HQ
Foto: autoral

A resenha de hoje é de uma graphic novel que eu estava muito empolgada pra ler! Tomei conhecimento de Meu Amigo Dahmer na pré-venda e fiquei super ansiosa por três motivos: primeiro, amo ler e assistir coisas relacionadas a assassinos em série bizarros; segundo, estava procurando algum tipo de narrativa visual que me prendesse a atenção; terceiro, estava sendo lançada pela Darkside (e além disso, dizia ser primeira graphic novel da editora, o que significava que viriam outras <3).


Quem foi Jeffrey Dahmer?

Conheci a história do Dahmer no ID Discovery. As vítimas eram homens e meninos que despertavam sua atração sexual. Ele as avistava e fazia o convite para que fossem ao seu apartamento. Chegando lá, Jeff drogava essas vítimas para que pudesse  estuprá-las ter relações sexuais possuindo total controle sobre elas. Mesmo se elas  quisessem transar com ele,  a pira do cara era sobre o domínio total, então isso não importaria.

Como ele matou muitas pessoas, contabilizando 16, é complicado falar das particularidades de cada caso. O que parece é que só a necrofilia pôde satisfazer esse desejo. Mesmo quando ele tentou usar um método para transformar as pessoas em “zumbi”, através de produtos químicos no lóbulo temporal, os resultados acabaram num domínio não completo e em morte. De um modo geral, ele usava as pessoas vivas, depois usava as pessoas mortas, depois desossava as pessoas. Ele diluía alguns dos pedaços da carne e, em alguns casos, guardava os outros pedaços pra comer – pois queria sentir que essas vítimas faziam parte dele. Fofo, né?!

Ele não descartava os corpos. A polícia achou vários deles despedaçados, em fase de decomposição, espalhados em alguns lugares do apartamento. Nas conversas com o FBI, ele conta todo o processo detalhadamente com uma voz totalmente casual. Ele não se faz de vítima, não tenta desmentir as coisas e nem paga de malandro. Outra curiosidade é: um desses caras saiu da posse do serial killer e, bem drogado, tentou contar a história para polícia. Dahmer, contando outra história, fez com que os dois fossem levados de volta até o apartamento dele. É sério.


Resenha de Meu Amigo Dahmer, Derf Backderf

Meu Amigo Dahmer Derf Backderf darkside Graphic Novel Jeffrey Dahmer HQ
Foto: autoral

Normalmente sinto alguma empatia por esses doidos. Não me julguem. Quando a mídia fala sobre essas personalidades, quase sempre usam algum raro lado bom deles para isso. É difícil chamar atenção do público com uma pessoa que é só monstruosa. O lado interessante nesses assassinos é, justamente, o fato de que eles são humanos, e isso às vezes é mostrado através da exposição de alguns sentimentos que o público também tem.

A questão é: nesses quadrinhos eu não senti nenhuma empatia por Dahmer. Eu também não senti nenhuma empatia por esse amigo que narra. Eu não senti empatia por n-i-n-g-u-é-m. Isso me deixou de pé atrás com o livro, mas depois me fez achá-lo muito bom.

O homem, que o conheceu no tempo do colégio, nos contextualiza sobre a situação de vida em que Dahmer cresceu, descrevendo o ambiente escolar. Fala também sobre o que era ou não era “normal” ali pelos anos 70 em Bath, Ohio. Várias vezes ele faz isso traçando um paralelo entre como era a vida dele , e como era a vida de Jeff. A diferença é gritante.

O narrador e seu grupo de amigos eram impopulares, mas Dahmer, além de impopular, era solitário e esquisitão. Jeff começa a imitar espasmos de pessoas com paralisia cerebral e esse grupo acha o máximo. Os quadrinhos que reproduzem essas cenas causam verdadeiro asco, principalmente se considerarmos que também é mostrada uma situação com espasmos reais de alguém bem próximo de Jeffrey (driblei bem o spoiler, né??).

O futuro assassino passa a ser figura popular entre os amigos, mas não na condição de amigo deles. A esquisitice de Jeff os diverte e, para que possam vê-la de perto, precisam manter o cara numa certa proximidade. Se eu não soubesse as coisas que ele fez, concluiria que esses meninos eram bem mais cruéis do que ele. Usavam a esquisitice de um rapaz para o próprio entretenimento e, depois, deixavam-no sozinho por ser esquisito.

Na hq os problemas familiares do adolescente também foram expostos. Temos as brigas dos pais e a situação da mãe como reais sofrimentos vividos por ele, o que, inclusive, é uma das principais diferenças no paralelo entre as vidas já citado. O que mais me agradou nessa narrativa foi que os adultos não foram totalmente culpabilizados pela personalidade monstruosa do filho. A contribuição deles nesse processo se dá pela falta de atenção, por não terem percebido um erro que já estava lá. Vejam: o erro já estava lá.

Na escola, a falta de atenção é menos escancarada, mas ainda é presente. Temos uma cena em que o professor repreende um aluno enquanto Jeffrey passa ao lado perturbado e despercebido. Há também outra em que ele entra na sala de aula completamente bêbado, enquanto um vídeo educativo contra o uso do LSD é exibido aos alunos.

Meu Amigo Dahmer Derf Backderf darkside Graphic Novel Jeffrey Dahmer HQ
Foto: autoral

Embora às vezes o narrador soe um pouco arrogante ao comparar a vida dos dois, vejo que isso foi uma tentativa de entender o que Dahmer passava. E, ao mesmo tempo, essa vontade de compreensão não vem da necessidade de se apiedar do assassino. Derf Backderf me pareceu alguém muito impressionado com o que houve, tentando juntar as peças e dar um sentido para essa experiência de alguém que ele convivia ter se tornado a pessoa dos noticiários.

O meu pé atrás, causado pela falta de empatia, deu lugar a surpresa e admiração. Todos eles eram adolescentes imbecis, como ele mesmo diz na parte de Notas. Porém, apesar da ausência desse elemento, que é o que costuma nos prender às histórias, a narrativa visual deixa a leitura ininterruptível. Não é apenas os traços que, individualmente, são bons. É também a escolha cuidadosa da sequência de imagens.

O final do livro foi o que mais me surpreendeu. Lá, estão as cenas que foram excluídas para a melhoria da sequência visual. Há também as Fontes de informação utilizadas e, nas Notas, cada página comentada. Isso mesmo, ele exibe o motivo da escolha dele entre as fontes em TODOS os quadrinhos, página por página, e nos conta as versões das fontes que ele não escolheu. Gente, vocês tem noção do cuidado que esse cara teve pra realizar esse trabalho?

Meu Amigo Dahmer Derf Backderf darkside Graphic Novel Jeffrey Dahmer HQ
Foto: autoral

Além disso, tem algumas fotos de Jeffrey e rascunhos de desenhos da época da escola.


Gente, é isso que a tia tem pra dizer sobre a graphic novel sem maiores spoilers. Ela tem histórias muito boas que não vou contar pois não sou boba. Também tirei poucas fotos porque se não fica muito sem graça, queria apenas dar uma noção de como é o traço do autor.

Quem gosta de cenas de crime, pode dar uma olhadinha na resenha de The Lizzie Borden Chronicles.

Podem ir me acompanhando no insta e té a próxima visita! 🙂

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