Édipo Rei, Sófocles

Édipo Rei, Sófocles

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Foto autoral

Hoje venho trazer pra vocês a resenha bem simplificada (com spoiler) da peça Édipo Rei, de Sófocles, que está presente num dos livros mais lindos que tenho na prateleira!  O Melhor do Teatro Grego, pela editora Zahar, reúne 4 títulos daqueles que muito ouvimos falar, mas que geralmente não paramos para ler. A literatura clássica, sendo muito antiga, às vezes causa preguicinha por conta da linguagem rebuscada e de algumas referências que não conhecemos. Eu mesma só parei para ler numa disciplina de Letras, e acabei bem surpresa. Esses gregos eram polêmicos demais, gente! Vou apresentar uma peça por vez, começando por Édipo Rei.


Vocês já devem ter ouvido falar do “Complexo de Édipo”, um termo criado por Freud para denominar uma fase do desenvolvimento sexual dos meninos em que eles sentem atração pela mãe (pessoal da psicanálise, corrijam se eu tiver dizendo besteira). Bom, acontece que a história do Édipo Rei, tragédia grega que inspirou o nome do termo, é beeeeem complicada.

O herói Édipo não sabia que Jocasta era sua mãe. O teatro grego tem muito de “destino traçado pelos deuses x a vontade do homem”, e Édipo foi um pouco vítima disso. Ele saiu de Corinto para fugir da profecia de um oráculo, que dizia que ele mataria seu pai e tomaria o leito de sua mãe. Ele matou um homem no meio do caminho e quando chegou em Tebas, o rei havia acabado de morrer. Édipo decifrou o enigma da Esfinge e conquistou o trono tebano, casando-se com a rainha Jocasta. Esfinge era um leão com cabeça de mulher, ela  propunha um enigma aos que queriam sair/entrar na cidade e devorava aqueles que não decifravam. Édipo, depois disso, fica meio autoconfiante demais.

A cidade é tomada por uma praga, e ele, como rei, precisa ajudar o povo. Como os gregos achavam que tudo era castigo ou bênção dos deuses, ele consulta o oráculo de Apolo. O oráculo diz que um ser impuro precisa ser banido de lá, e que vão conseguir isso apenas quando descobrirem quem assassinou Laio, o antigo rei de Tebas.

Édipo se compromete com a investigação, embora receba diversas vezes sinais para que não continue. Um desses sinais vem de um clarividente cego, Tirésias, que resiste em dizer a verdade que sabia. O rei insiste até conseguir arrancar o que o homem guardava: Édipo era o assassino que ele próprio procurava. Mas ele não ouve, ofende o vidente por sua cegueira e o acusa de estar conspirando contra ele.

Minha cegueira provocou injúrias tuas.

Pois ouve: os olhos teus são bons e todavia

não vês os males todos que te envolvem,

nem onde moras, nem com que mulher te deitas.

(Tirésias, 505).

Assim, o herói vai juntando as peças que são apresentadas ao longo dos diálogos. O antigo rei Laio morreu numa encruzilhada, lugar onde Édipo matou um homem.  Laio havia se desfeito de um filho, depois de um oráculo dizer a ele que esse filho o mataria. Édipo não é filho biológico de sua mãe.

Assim, ele descobre que as duas perguntas da peça (quem matou Laio? quem sou eu?) se correspondem, e sua má sorte se completa, cumprindo um destino cruel.


Essa edição da Zahar facilita muito a leitura, pois possui várias notas esclarecedoras que estão no rodapé. Ela também  possui resumos e informações acerca dos mitos e das peças. Isso fica bem claro em Medeia, um mito com toda uma história que antecede a peça e é informado ao leitor. Além do mais, não canso de dizer o quanto esse livro é liiiindo.

Ainda vou trazer Medeia, mas na próxima visita a tia vai mostrar um livro muito emocionante e atual de João Anzenello Carroscoza :). Até mais!

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