A Ciranda das Mulheres Sábias, Clarissa Pinkola Estés

A Ciranda das Mulheres Sábias, Clarissa Pinkola Estés

WhatsApp Image 2017-09-23 at 17.05.33


Conheci A Ciranda das Mulheres Sábias, da Clarissa Pinkola Estés, através de alguma mulher que leu algum trecho em algum sarau. Ah, e na beira de alguma fogueira. Fiquei encantada. Só que, na primeira leitura que fiz do livro completo, tive uma impressão bem errada.

A Clarissa Pinkola Estés é uma escritora e psicanalista que trabalha com arquétipos do sagrado feminino. E essa palavra, “feminino”, costuma me irritar horrores, principalmente quando fala de alguma essência que a mulher possui. Então, eu li problematizando tudo e não realmente “lendo” de uma forma aberta e receptiva.

Existe até um título dela chamado Mulheres que Correm com os Lobos, que foi prestigiado por alguns machos da internet. Para eles, o livro coloca a “mulher no lugar dela” quando diz que nós devemos seguir o nosso “instinto interior de mulher”. Isso que dá não saber interpretar texto.

Entrando em contato com um conhecimento mínimo sobre misticismo e ocultismo, relendo o livro sob outra ótica,  eu fiquei encantada com o “feminino” no ponto de proposto pela autora.

Elas reivindicavam um lugar na sua sociedade, essencialmente qualquer lugar que desejassem pois não queriam esperar, implorar nem precisar adular para que alguém lhes concedesse esse lugar.

O feminino, para essa escritora, é uma força que as mulheres possuíam em meio a floresta, como bruxas, como seres determinantes e essenciais da natureza, conhecendo os seus ciclos naturais e o seu poder. Limpando a casa? Também (como qualquer pessoa deveria fazer). Mas atuando nas lavouras, nas guerras, nas artes, na dança. Para ela, as mulheres ainda são essencialmente possuidoras dessa força – que naquela época era chamada de “bárbara” pelas outras culturas. Porém, somos coagidas a não a reconhecer. Algumas coisas do mundo trabalham tanto a fim de nos moldar que, para Clarissa, só entrando em contato com esse interior instintivo tal como as bruxas, poderíamos ser quem somos (e o que seríamos é o que nós queremos ser).

(Devo ressaltar também que é algo bem espiritual, não político.)

Tá, e que parte do livro diz isso? Em nenhuma. É uma troca de leituras e experiências.

O papel de A Ciranda das Mulheres Sábias, nisso tudo é defender a ideia de que: se uma mulher viver como ela quiser, as outras também passarão a viver.  Ela conta sobre “histórias dentro de histórias”, sobre vovozinhas que dançavam até derrubar todos os homens do salão, sobre a capacidade de regeneração das árvores depois da destruição e sobre como uma mulher colabora com o crescimento da outra.

A sinopse faz ele parecer um livro de autoajuda, mas não foi o que eu encontrei fazendo a leitura.

O que achei lindo foi que a escritora trata as mulheres como seres sagrados e, no final da obra, existem preces a essas mulheres. Nessas preces podemos ver como essa mulher sagrada é uma mulher real, mulher como as que somos nós, e não como a imagem sagrada feminina que costumamos ver por aí.

Por elas…/ por todos os corações peregrinos…/ que possam sempre se encontrar/ e não passar sem se ver,/ mas que permaneçam perto umas/ das outras e que se fortaleçam, /e com isso fortaleçam os perímetros/ e os portais do mundo da alma/confiados à sua guarda.


Esse e texto é pra mostrar pra vocês o conteúdo do livro pelo qual tenho tanto carinho. :). Ele é curtíssimo, de leitura fácil e rápida, parece um carinho. Espero que gostem . Boa sorte!

Para acompanhar a tia e participar do sorteio, cliquem aqui!

 

 

One Reply to “A Ciranda das Mulheres Sábias, Clarissa Pinkola Estés”

Deixe uma resposta